Delegada esposa de réu por morte de gari é transferida na Polícia Civil após mais de um ano afastada
15/09/2026
(Foto: Reprodução) Ana Paula Lamego Balbino Nogueira
Arquivo pessoal
A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, mulher de Renê da Silva Nogueira Junior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, foi transferida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para o setor administrativo. Ela atuava na Casa da Mulher Mineira e agora vai prestar serviços na Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal (SPGF).
O caso ocorreu em agosto de 2025, quando Renê atirou contra o gari após uma discussão de trânsito. A arma usada no crime pertencia à Ana Paula.
A remoção da delegada foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais em 20 de agosto. Segundo a portaria, a decisão ocorreu após solicitação da chefia da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (Defam) e manifestação jurídica da corporação. No entanto, ela continua afastada do trabalho.
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A remoção foi aprovada por unanimidade pelo Órgão Especial do Conselho Superior da Polícia Civil, em reunião realizada em 18 de agosto.
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Nova licença médica
Poucos dias antes da publicação da remoção, em 11 de agosto, a Polícia Civil havia publicado uma portaria concedendo a Ana Paula licença para tratamento de saúde por mais 30 dias, a partir de 8 de agosto. O documento informa que se tratava de uma prorrogação.
A servidora pública está sem exercer a função desde 13 de agosto de 2025, dois dias após o crime. No entanto, ela continua sendo remunerada; em julho, o último mês disponível para a consulta, Ana Paula recebeu R$ 19.248,24, segundo informações disponíveis no Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais.
O empressário Renê da Silva Nogueira Júnior, casado com a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, foi preso suspeito de atirar e matar o gari Laudemir de Souza Fernandes
Reprodução
Processo na Corregedoria
A delegada também é alvo de um processo administrativo disciplinar na Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Ela foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo e por prevaricação, já que a arma usada no crime pertence a ela.
Relembre o caso
O empresário Renê da Silva Nogueira Junior é réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, durante uma discussão de trânsito no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, em agosto de 2025.
Segundo as investigações, Renê teria se irritado porque o caminhão de coleta de lixo ocupava a via. Ele teria ameaçado o motorista do veículo e, em seguida, efetuado disparos contra os trabalhadores. Laudemir foi atingido no abdômen e morreu no local.
Uma semana após o crime, Renê confessou ter feito os disparos. Em depoimento, afirmou que utilizou uma arma pertencente à mulher, a delegada Ana Paula, sem o conhecimento dela.
A perícia confirmou que a arma usada no crime pertencia à delegada. Após o homicídio, a Polícia Civil abriu procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas à guarda e ao acesso ao armamento.
Em junho, Renê teve mais um pedido de habeas corpus negado pela Justiça.
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