Ex-delegado condenado por morte de adolescente atua como professor da rede estadual; Secretaria de Educação apura caso
23/09/2026
(Foto: Reprodução) Ex-delegado condenado por morte de adolescente atua como professor da rede estadual de MG
O ex-delegado da Polícia Civil Geraldo do Amaral Toledo Neto, condenado em 2015 pela morte da adolescente Amanda Linhares Santos, de 17 anos, atua como professor da rede estadual de Minas Gerais desde 2021.
Inicialmente contratado de forma temporária, Geraldo Neto tomou posse como professor efetivo da educação básica em setembro de 2024, após aprovação em concurso público. O cargo é vinculado à Escola Estadual Mendes de Oliveira, em Congonhal, no Sul de Minas.
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) determinou a abertura de processo administrativo para apurar possível irregularidade na apresentação dos documentos exigidos para a posse do servidor e o afastou das atividades enquanto o caso é apurado.
No Portal da Transparência, Geraldo aparece como servidor ativo com carga horária de 16 horas semanais. A remuneração bruta informada é de R$ 4.104,68, com salário líquido de R$ 3.756,09.
Condenação e prisão
Geraldo do Amaral Toledo Neto foi condenado em dezembro de 2015 a 18 anos e 9 meses de prisão pelo homicídio de Amanda Linhares Santos. O crime ocorreu em 2013.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ele está em livramento condicional, com monitoramento eletrônico, desde 8 de setembro. O órgão informou que, até o momento, foram cumpridos 17 anos, 2 meses e 14 dias de pena.
O ex-delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto e a namorada, Amanda Linhares Santos
Redes sociais
No entanto, de acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Geraldo tem apenas duas passagens pelo sistema prisional: de 17 de outubro de 2013 a 3 de janeiro de 2014 e, posteriormente, de 9 a 12 de setembro de 2026.
O g1 questionou ao TJMG e ao estado quando e onde o restante da pena foi cumprido, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Relembre o caso
Amanda Linhares Santos foi baleada na cabeça em 14 de abril de 2013, após uma discussão com Geraldo dentro de um carro na estrada entre Ouro Preto e o distrito de Lavras Novas, na Região Central de Minas Gerais. Os dois teriam um relacionamento.
Uma testemunha relatou à Polícia Militar ter visto o casal discutindo momentos antes do crime. Posteriormente, um veículo com as mesmas características deixou a adolescente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ouro Preto. O motorista não se identificou e afirmou que a jovem teria tentado tirar a própria vida.
Amanda foi transferida em estado gravíssimo para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde passou por cirurgia e permaneceu internada por cerca de 50 dias.
Em abril de 2013, a Polícia Civil divulgou o resultado de um exame residuográfico que descartou a hipótese de disparo efetuado pela própria vítima. Amanda morreu em 3 de junho daquele ano.
Dias depois, Geraldo foi indiciado por homicídio. O Ministério Público de Minas Gerais o denunciou por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e dissimulação, além de fraude processual.
A Justiça determinou, em maio de 2014, que o ex-delegado fosse submetido a júri popular. O julgamento teve início em 1º de dezembro de 2015, em Ouro Preto.
Três dias depois, o conselho de sentença o condenou por homicídio duplamente qualificado e fraude processual.
Demissão da Polícia Civil
Geraldo chegou a ser demitido da Polícia Civil de Minas Gerais em outubro de 2013.
Segundo o processo administrativo disciplinar, a exoneração não teve relação direta com o assassinato de Amanda. A investigação apurou irregularidades envolvendo o registro e o licenciamento de duas motocicletas com motores e chassis adulterados, fatos ocorridos entre 2005 e 2007.
O pedido de demissão foi encaminhado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil em 12 de outubro de 2013, e a exoneração foi publicada quatro dias depois.
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