Mulher acusada de matar a mãe e pesquisar 'como carbonizar corpo' na internet é condenada a mais de 30 anos em MG
17/03/2026
(Foto: Reprodução) Mulher acusada de matar a mãe e pesquisar 'como carbonizar corpo' na internet é condenada
A Justiça condenou a mais de 30 anos de prisão a mulher apontada como autora da morte da própria mãe, uma idosa de 78 anos, em Itajubá (MG). A sentença de primeira instância foi divulgada pela Polícia Civil por meio da 2ª Delegacia Regional do município.
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O crime ocorreu em 27 de abril de 2025. A vítima, Mariana Arlete Santana Bittencourt, foi encontrada morta dentro de casa dias depois. De acordo com a investigação, a filha, Patrícia Santana Bittencourt, de 54 anos, agiu com premeditação e motivação financeira. A polícia reuniu evidências de que ela pesquisou na internet maneiras de matar, carbonizar um corpo e dificultar o trabalho da perícia.
A mulher também teria tentado simular surpresa ao “encontrar” o corpo e chegou a viajar após cometer o assassinato.
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Segundo a Polícia Civil, Patrícia adotou estratégias para despistar as autoridades, apagando conteúdos do celular e tentando criar obstáculos ao trabalho investigativo. Laudos da perícia apontaram que a idosa foi morta por asfixia com clorofórmio e que houve uma tentativa frustrada de incendiar o corpo para destruir evidências.
Ela havia sido presa preventivamente em 14 de maio de 2025, com o avanço das investigações. De acordo com a corporação, Patrícia segue detida no sistema prisional, agora como condenada.
O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Megale Anderi, afirmou durante a investigação que a relação entre mãe e filha era marcada por conflitos e que Patrícia acreditava que os pais tinham obrigação de sustentá-la financeiramente, o que teria contribuído para o crime.
Delegado Rodrigo Megale Anderi (à esquerda) e o investigador Cassio Poaini Marcelo (à direita) em coletiva de imprensa sobre o caso em Itajubá (MG)
Polícia Civil
Crime foi cometido com clorofórmio; corpo ficou na casa por sete dias
Segundo a Polícia Civil, Patrícia esperou o retorno da mãe de uma viagem para atacá-la. A idosa foi asfixiada com clorofórmio dentro da própria residência.
Após o assassinato, a condenada levou um Chevrolet Spin, R$ 42 mil em dinheiro e um talão de cheques da vítima. Em seguida, tentou carbonizar o corpo usando querosene e uma vela, posicionada de forma a iniciar um incêndio quando ela já estivesse fora do local.
Depois do crime, a mulher viajou para o litoral paulista, onde gastou o dinheiro roubado em passeios de luxo. Enquanto isso, o corpo da mãe permaneceu na casa por cerca de sete dias.
Buscas no Google revelaram planejamento
A perícia no celular da ré foi considerada decisiva para esclarecer o crime. O histórico revelou meses de pesquisas como:
“Como matar com clorofórmio”;
“Quanto tempo o clorofórmio sai do corpo”;
“Como queimar um corpo com querosene”;
“Autópsia em corpo carbonizado”;
“Quanto tempo leva para um cadáver se deteriorar”.
Durante o processo, Patrícia alegou que as buscas estavam relacionadas a uma tentativa de suicídio. A explicação foi rejeitada pela juíza por ser incompatível com o comportamento da ré, que viajou, gastou dinheiro e tentou encobrir evidências.
Mensagens falsas aumentaram suspeitas
Os familiares passaram a estranhar o desaparecimento de Mariana e começaram a desconfiar do envolvimento de Patrícia. A vítima não tinha o hábito de enviar mensagens de texto, preferindo áudios. As mensagens que passaram a ser enviadas do celular dela, dias após o crime, tinham linguagem formal e destoavam completamente do perfil da idosa.
Patrícia também tentou se passar pela mãe para dispensar um pedreiro que trabalhava na residência, realizando o pagamento via PIX de sua própria conta, o que reforçou as suspeitas.
Testemunhas ainda relataram que a vítima havia enviado áudios, antes de morrer, dizendo temer ser assassinada pela filha.
Juíza cita “frieza e premeditação” e nega recurso em liberdade
A sentença foi proferida pela juíza Maria Fernanda Manfrinato Braga, da 1ª Vara Criminal de Itajubá. Segundo ela, Patrícia agiu com “extrema frieza e premeditação”.
Além da pena privativa de liberdade, Patrícia foi condenada a pagar R$ 100 mil em indenização aos irmãos.
Na dosimetria, foram consideradas agravantes como:
crime cometido contra ascendente;
vítima maior de 60 anos;
uso de meio cruel (asfixia e tentativa de carbonização);
frieza demonstrada pela ré após o assassinato.
Diante da gravidade do caso e do risco de fuga, Patrícia teve negado o direito de recorrer em liberdade. A defesa ainda pode recorrer da decisão.
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