Operação Intrafortis: PF indicia ex-superintendente da instituição em MG e outras nove pessoas
25/08/2026
(Foto: Reprodução) Mineração
Reprodução/TV Globo
A Polícia Federal (PF) indiciou o delegado federal Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da instituição em Minas Gerais, e outras nove pessoas, no inquérito relacionado à operação Intrafortis, desdobramento da Rejeito.
O relatório final das investigações, concluído em agosto de 2026 e encaminhado à Justiça Federal, aponta Teixeira como um dos integrantes do núcleo central de uma organização criminosa que teria atuado em negociações de direitos minerários, corrupção e lavagem de capitais em Minas Gerais.
O delegado foi indiciado por organização criminosa, tentativa de embaraço à investigação de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A investigação, segundo a própria PF, identificou elementos obtidos a partir de dados telemáticos, bancários, fiscais, telefônicos e documentais. O relatório sustenta que Teixeira teria mantido uma atuação oculta no mercado minerário enquanto exercia funções relevantes na Polícia Federal.
Em nota, a defesa de Teixeira afirmou que o relatório "é carente de substrato probatório e só faz repetir a mendaz retórica que inaugurou essa famigerada operação".
Agora no g1
Delegado teria atuado como sócio oculto
Um dos principais pontos do relatório é a suposta utilização da empresa GMAIS Ambiental Ltda. como instrumento para participação de Teixeira em negócios de mineração.
Segundo a investigação, a empresa foi formalmente constituída em nome de terceiros, entre eles a esposa do delegado, mas teria sido administrada de fato por ele e por Gilberto Henrique Horta de Carvalho.
A PF afirma ter encontrado mensagens, e-mails e outros dados que indicariam que Teixeira participava diretamente das decisões estratégicas da empresa, convocando reuniões, tratando de contratos, definindo valores e orientando os demais envolvidos sobre questões societárias e bancárias.
O relatório destaca ainda que o delegado teria enviado 557 mensagens, equivalentes a 37% das comunicações do grupo de WhatsApp denominado 'GMAIS", enquanto a sócia formal Daniela Wandeck teria participado de apenas 30 mensagens, ou 2,83% das interações.
Para a PF, esses elementos reforçam a conclusão de que Teixeira seria o "sócio administrador oculto' da GMAIS.
Direitos minerários de alto valor
A investigação avançou também sobre a criação da Brava Mineração Ltda., empresa na qual a GMAIS passou a figurar formalmente como sócia, com 13,33% das cotas.
Segundo o relatório, Teixeira teria se tornado sócio oculto da Brava por intermédio da GMAIS e recebido, sem pagamento, participação correspondente a 13,33% de dois direitos minerários, que chegaram a ser negociados por cerca de US$ 70 milhões.
Em outro negócio envolvendo direitos minerários, a PF calculou que a exploração poderia gerar aproximadamente R$ 203 milhões para a Brava, dos quais cerca de R$ 27,1 milhões seriam destinados à GMAIS.
Teixeira ocupava cargos estratégicos na PF
De acordo com o relatório da PF, as tratativas envolvendo direitos minerários ocorreram quando Teixeira exercia o cargo de diretor de Polícia Administrativa da Polícia Federal.
A PF também destacou que o delegado ocupou a Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais durante o período do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.
Ainda segundo o relatório, um dos primeiros ativos minerários negociados por meio da estrutura empresarial atribuída a Teixeira estava relacionado à Topázio Imperial, empreendimento que possuía uma barragem em situação de emergência e apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como uma das estruturas de maior risco do país.
Em uma mensagem analisada pela PF, o ex-deputado João Alberto Paixão Lages, também indiciado no inquérito, demonstrou preocupação com os possíveis impactos da barragem sobre o negócio e sugeriu que Teixeira conversasse com um advogado para buscar uma solução.
Suspeita de utilização da estrutura policial
Segundo a PF, há indícios de que o cargo ocupado por Teixeira tenha sido utilizado para favorecer interesses privados ligados aos negócios minerários.
Em outro trecho, a investigação descreve uma possível articulação entre investigados e Rodrigo, então diretor da Polícia Federal, em torno de informações relacionadas a uma investigação sigilosa. Para os investigadores, o episódio poderia indicar tentativa de interferência na condução do inquérito.
Outros indiciados
Ursula Paula Deroma: organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro;
Phillipe Westin Deroma Furtado: organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro;
Marcos Arthur Mendonça: organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro;
Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Gilberto Henrique Horta de Carvalho: organização criminosa, tentativa de embaraço à investigação de organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Luiz Fernando Vilela Leite: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Daniela dos Santos Wandeck: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
João Alberto Paixão Lages: tentativa de embaraço à investigação de organização criminosa;
Kelly Cristina de Castro Batista: violação de sigilo funcional e corrupção passiva privilegiada.
O g1 tenta contato com a defesa dos demais indiciados.
Vídeos mais vistos no g1 Minas: