Conheça a estação histórica do Inmet que mede temperatura, chuva e outros dados meteorológicos de Juiz de Fora

  • 05/07/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça a estação histórica do Inmet que mede dados meteorológicos de Juiz de Fora No alto da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a 936 metros de altitude, funciona a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). É ali que, diariamente, são observados e registrados os dados meteorológicos da cidade. Uma das pessoas responsáveis pela tarefa é a coordenadora do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA), Cássia Ferreira, que há quase 40 anos integra a rotina de trabalho da estação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Com 53 anos de funcionamento em Juiz de Fora, a estação segue padrões nacionais e internacionais e abastece a rede de dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas considerada a principal referência global em meteorologia e climatologia. Antes de ser instalada na UFJF, em 1972 (entenda mais abaixo), a estação funcionou em outros pontos da cidade. Hoje, ela opera de duas formas: automaticamente, com envio de dados a cada hora para o 5º Distrito de Meteorologia, em Belo Horizonte, e por meio de medições convencionais, realizadas manualmente pelos observadores. Atualmente, apenas a professora Cássia Ferreira e o servidor Yan Carlos Gomes Viana são responsáveis pelas visitas diárias à estação para coletar as informações e enviá-las ao Inmet. "Estamos aqui todos os dias, às 9h, às 15h e às 21h. A estação funciona aos sábados, domingos, feriados, Natal e Ano-Novo. Como seguimos uma padronização internacional, os dados coletados aqui podem ser comparados aos de qualquer outro lugar do mundo integrado a essa rede." Cássia Ferreira trabalha nas aferições do Inmet desde 1988, quando ainda era estagiária do curso de geografia Juliana Netto Por que a estação fica longe do Centro? Para integrar a rede oficial do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma estação precisa seguir uma série de normas técnicas definidas internacionalmente. A padronização garante que os dados coletados em Juiz de Fora possam ser comparados aos de qualquer outra estação do mundo. Entre as exigências estão: a instalação sobre um gramado de vegetação baixa, que reduz o aquecimento do solo equipamentos pintados de branco para refletir a radiação solar e evitar o aquecimento dos instrumentos ausência de árvores, prédios, concreto ou asfalto nas proximidades, que poderiam interferir nas medições. "É tudo padronizado. Os termômetros ficam a cerca de 1,5 metro de altura para evitar a influência da radiação do solo. O abrigo é ventilado, tem dupla camada e deve ficar voltado para o sul, nunca para o norte, para impedir que o sol incida diretamente sobre os instrumentos", explicou Cássia Ferreira. Estação automática do Inmet, instalada no Campus da UFJF Juliana Netto Segundo a climatologista, a escolha do local onde a estação está instalada também segue critérios técnicos e busca evitar a influência da urbanização sobre as medições. "Às vezes as pessoas questionam os dados da estação porque eles não refletem exatamente o que acontece no Centro da cidade. Mas essa não é a função dela. A estação representa as condições meteorológicas de forma mais regional. Tivemos, por um período, um equipamento instalado na avenida Getúlio Vargas e chegamos a registrar 47°C ali, uma temperatura influenciada pelo ambiente urbano e que não representa a realidade de Juiz de Fora". Mais de um século de medições As observações meteorológicas em Juiz de Fora começaram em 1890. Já a estação meteorológica oficial vinculada ao sistema nacional foi instalada em 1910 e, desde então, mantém uma série histórica de mais de 125 anos de dados sobre o clima da cidade. Ao longo desse período, a estação funcionou em diferentes endereços. Ela permaneceu por quase 30 anos no Largo do Riachuelo, de onde foi transferida após a grande enchente que atingiu o Centro em 1940. Depois, passou pelo prédio dos Correios, na rua Marechal Deodoro, e pela Praça Agassis, no bairro Mariano Procópio. Em 11 de maio de 1972, com a consolidação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a estação foi instalada no campus, onde permanece até hoje. Pluviômetro do Inmet instalado no Campus da UFJF Juliana Netto Segundo Cássia Ferreira, apesar da existência de sensores meteorológicos particulares espalhados pela cidade, a estação do Inmet continua sendo a principal referência para comparação dos dados. "O dado que a gente coleta aqui pode ser comparado com o de qualquer outro lugar do mundo integrado à mesma rede. Se uma estação estiver instalada, por exemplo, sobre um piso de concreto, ela vai registrar temperaturas diferentes. Por isso existe toda uma padronização. Quando há outras estações pela cidade, normalmente os dados delas são calibrados e comparados com os da estação oficial". Para a pesquisadora, outro desafio ainda é ampliar a cobertura da rede meteorológica no país. "Hoje ainda há grandes vazios de monitoramento. Se tivéssemos uma estação em cada cidade, seria o cenário ideal. As grandes capitais costumam ter mais de uma estação porque ocupam áreas territoriais maiores, mas a maioria dos municípios conta com apenas uma estação do Inmet", afirmou. Quase 40 anos dedicados à climatologia Há quase quatro décadas, Cássia Ferreira, que é também docente do curso de Geografia da UFJF, vive a rotina da unidade meteorológica. Mesmo com a instalação da estação automática, em funcionamento desde 2008, ela continua realizando as observações da estação convencional, responsáveis por manter uma série histórica iniciada há mais de um século. Segundo a pesquisadora, os dois sistemas se complementam. Enquanto a estação automática registra dados como temperatura, umidade e chuva de forma contínua, a convencional reúne informações que ainda dependem da observação humana. "A estação convencional vai um pouco além da automática porque inclui observações sensoriais, como cobertura do céu, tipos de nuvens, visibilidade, ocorrência de orvalho e nevoeiro. São informações que exigem a presença do observador". Estação do 5º Distrito de Meteorologia, instalada na UFJF Julilana Netto/g1 Além disso, a manutenção da estação convencional garante a continuidade da série histórica de dados, fundamental para pesquisas sobre o clima. "Manter essa série é muito importante para a UFJF, principalmente no contexto das mudanças climáticas. Como os sensores são diferentes, existem pequenas variações, e preservar esse histórico permite acompanhar a evolução do clima ao longo do tempo". Segundo Cássia, os registros feitos diariamente em Juiz de Fora mostram que o aquecimento global também pode ser observado na cidade. "Sem dúvida. Percebemos uma curva mais acentuada de aumento da temperatura depois dos anos 2000. Também registramos um crescimento no número de dias com temperaturas acima de 30°C, algo que antes era menos comum." Para ela, acompanhar diariamente esses dados é uma forma de contribuir para pesquisas que ajudam a compreender fenômenos extremos. "A continuidade desse trabalho permite abastecer estudos climatológicos no mundo inteiro. Esses dados ajudam a aprimorar previsões e análises sobre mudanças climáticas e eventos extremos, como os registrados em Juiz de Fora em fevereiro." LEIA TAMBÉM: Termômetro de rua marca 51°C em Juiz de Fora, mas Inmet aponta 16 graus a menos; saiba como funciona esse tipo de medição Tragédia em Juiz de Fora: Por que alertas não evitaram mortes? VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/07/05/conheca-a-estacao-historica-do-inmet-que-mede-temperatura-chuva-e-outros-dados-meteorologicos-de-juiz-de-fora.ghtml


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