Demora, reviravoltas e choro: as idas e vindas de Cleitinho na disputa de MG

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Cleitinho volta a pedir ao Republicanos para ser candidato ao governo de Minas Gerais A tentativa do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) de concorrer ao governo de Minas Gerais nos últimos meses tem sido marcada por indefinição, recuos e divergências públicas com a direção do partido. Lançado como pré-candidato em março, o senador alternou declarações de que disputaria a eleição com sinais de desistência. Nesta terça-feira (4), o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, rejeitou um último pedido de Cleitinho para disputar o Palácio Tiradentes durante a convenção do partido. LEIA MAIS: Republicanos confirma neutralidade nas eleições e não vai compor chapa com Flávio Bolsonaro Veja a cronologia dos principais acontecimentos: Senador Cleitinho Azevedo coletiva Praça do Santuário Divinópolis afirma candidato Governo de MG Michelle Pereira/TV Integração 2 de março: lançamento da pré-candidatura O Republicanos lançou oficialmente a pré-candidatura de Cleitinho ao governo de Minas Gerais. Na época, apesar de ter confirmado que se candidataria ao cargo, deixou para comunicar a decisão final quanto ao cargo que disputaria até o mês de abril. 1º de abril: primeira negativa de desistência O senador publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que seria candidato ao governo, após supostamente ser alvo de boatos de que desistiria. "Estão falando que eu vou desistir. Será?", disse o senador em frente ao Congresso Nacional. Enquanto falava, Cleitinho performava no vídeo um jogador de futebol aquecendo antes de entrar em campo. Três dias depois, em 4 de abril, terminou o prazo de filiação partidária para quem pretendia disputar as eleições. O momento é crucial para entender por que o senador não pode trocar de partido, ainda que queira ser candidato. Ainda em abril, uma pesquisa Quaest mostrava liderança do senador em todos os cenários pesquisados. LEIA TAMBÉM: Quaest em MG: veja cenários da pesquisa para governador em julho sem a presença de Cleitinho 10 de junho: candidatura condicionada Durante um discurso no Senado, Cleitinho voltou a negar que desistiria da corrida eleitoral. Ao mesmo tempo, afirmou que a candidatura dependeria da "vontade de Deus" e de continuar liderando as pesquisas de intenção de voto. "É o povo que vai decidir", disse na tribuna. "O que mais me chama a atenção por conta de alguns políticos que ficam soltando isso em Minas Gerais, falando: 'O Cleitinho está com medo de pegar um estado quebrado', é que são os mesmos que quebraram o estado e querem continuar tomando conta dele", afirmou. No mesmo discurso, voltou a condicionar sua candidatura à performance nas pesquisas. 8 de julho: no limite do prazo Alguns dias antes, em 5 de julho, o presidente do diretório estadual do Republicanos, o deputado Eclydes Pettersen (REP-MG) disse que a candidatura do senador estava confirmada. No dia 8, Cleitinho voltou ao plenário do Senado e afirmou que poderia decidir só em 5 de agosto — último dia das convenções partidárias. Ele ainda criticou o presidente estadual do seu partido. "Se eu cheguei até aqui agora, foi Deus que me colocou aqui. Não foi grupo político, partido, dinheiro, empresário… Foi o povo que me colocou aqui”, declarou. Cleitinho com o irmão Matheus, que morreu aos 30 anos em Divinópolis. Reprodução/Redes Sociais 18 de julho: morte do irmão No dia 18 de julho, Cleitinho perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. A interlocutores, o senador teria informado que não tinha cabeça para fazer campanha e que estava de luto, sem sair de casa. 25 de julho: ausência na convenção O Republicanos realizou a convenção estadual em Minas Gerais, mas Cleitinho não compareceu nem enviou procuração para formalizar sua candidatura. Esta seria a oportunidade de confirmar a candidatura ao governo do estado. Publicação usando IA do senador Cleitinho (Republicanos-MG), feita durante a noite desta terça-feira (28). Reprodução/Redes Sociais 28 de julho: pesquisa, apoio a rival e vídeo com IA Uma pesquisa Quaest mostrou Cleitinho na liderança da disputa pelo governo mineiro em todos os cenários. No mesmo dia, porém, diante das incertezas com relação ao senador, o Republicanos e o PL e Republicanos passaram a negociar apoio a Marcelo Aro (PP). Pesquisas internas apontam que Aro seria um candidato mais competitivo e um palanque melhor para Flávio Bolsonaro do que os nomes próprios do PL. Também em 28 de julho, o senador publicou um vídeo criado com inteligência artificial em que o pai e o irmão, ambos já falecidos, apareciam incentivando sua candidatura. LEIA TAMBÉM: Indecisão de Cleitinho e medo de governar: o que fez candidatura ao governo de Minas emperrar mesmo liderando pesquisas 29 de julho: partido e senador dão versões diferentes Neste dia, as contradições entre o candidato e o partido chegam ao auge. Às 10h20, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que Cleitinho não seria candidato ao governo de Minas. A informação foi publicada no blog do Valdo Cruz. Cerca de 40 minutos depois, a assessoria do senador divulgou uma nota afirmando que a candidatura continuava de pé. Na noite do mesmo dia, durante entrevista coletiva em Divinópolis, Cleitinho reafirmou que pretendia disputar a eleição pelo Republicanos e pediu desculpas por sua conduta ao longo das negociações. “Em todos os cenários eu lidero as pesquisas. O que eu falei é que se até o final eu estiver liderando pesquisas, eu serei candidato. A última pesquisa mostra que eu tenho 40% de aprovação . A voz do povo é a voz de Deus. Eu serei candidato!", afirmou durante o evento. 3 de agosto: anúncio de desistência Em vídeo publicado nas redes sociais, Cleitinho anunciou que desistiria da disputa, ao lado do presidente nacional do partido, o deputado federal Marcos Pereira. Pereira disse que Cleitinho tomou a decisão "espontaneamente diante do momento difícil que está vivenciando", depois da perda do irmão, em julho. "O partido Republicanos, mesmo depois de quarta-feira (29) para cá.... Nós tivemos uma reunião longa. Cinco horas de reunião em São José dos Campos. E demos toda a oportunidade para que ele pudesse ser candidato, mas ele tem uma decisão pessoal que ele precisa dizer, por causa desse momento que ele está passando", afirmou Pereira. Cleitinho era líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. 4 de agosto: último apelo é rejeitado Durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, o senador fez um último apelo para ser confirmado como candidato. Segundo Cleitinho, Deus teria falado com ele e mandado uma mensagem por meio do Espírito Santo para que ele fosse candidato. "Pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todos os caminhoneiros, por toda a enfermagem que existe, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente me dê essa vaga", exclamou Cleitinho durante a convenção. O presidente do partido, contudo, declarou encerrada a fase deliberativa da convenção e sustentou que deu várias oportunidades para ele se decidir. Na sequência, negou o pedido. "Essa convenção não é para deliberar sobre decisões do estado de Minas nem de nenhum outro estado da Federação", emendou. Por que Cleitinho não pode disputar por outra legenda? Cleitinho não pode deixar o Republicanos para concorrer por outra legenda porque o prazo de filiação partidária terminou em abril. A legislação eleitoral também não permite candidaturas avulsas. Assim, sem o aval do partido para registrar seu nome, o senador fica impedido de disputar o governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Embora senadores possam mudar de partido sem depender da janela partidária, a legislação exige que candidatos estejam filiados à legenda pela qual pretendem concorrer pelo menos seis meses antes da eleição. Em 2026, esse prazo terminou em 4 de abril. 🔎A janela partidária é o período em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. A regra não se aplica a senadores, governadores, prefeitos e presidente da República. Mesmo assim, candidatos precisam estar filiados ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição dentro dos prazos definidos pela Justiça Eleitoral. 🔎O sistema eleitoral brasileiro não permite candidaturas sem partido. Para disputar uma eleição, o interessado precisa estar filiado a uma legenda e ter a candidatura registrada por ela na Justiça Eleitoral. Por isso, a participação de um candidato depende também da aprovação e do registro feitos pelo partido. Na prática, uma eventual candidatura de Cleitinho ao governo de Minas teria de ocorrer pelo Republicanos, partido ao qual ele estava filiado quando se encerrou o prazo de filiação partidária para a disputa deste ano.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/eleicoes/2026/noticia/2026/08/04/eleicoes-2026-as-idas-e-vindas-de-cleitinho-na-disputa-pelo-governo-de-minas-gerais.ghtml


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