Entenda por que Minas acompanha resultado das eleições presidenciais desde 1989
21/09/2026
(Foto: Reprodução) Minas Gerais é o espelho do Brasil
Desde a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, em 1989, o candidato que venceu a disputa em Minas Gerais também foi eleito presidente da República. Em diferentes pleitos, os percentuais registrados no estado ficaram próximos dos resultados nacionais.
A diversidade social, econômica e regional de Minas ajuda a explicar as semelhanças com o restante do país. O estado reúne características de diferentes regiões brasileiras, que aparecem na formação da população, na economia e também no comportamento dos eleitores.
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Entenda por que Minas reflete o resultado da disputa presidencial nacional a partir dos seguintes pontos:
Localização e processo histórico
Minas e Brasil nas urnas
Diferenças regionais no voto
Desafios para os candidatos
Localização e processo histórico
Minas faz divisa com seis estados e o Distrito Federal. Segundo Bruno Durão, professor do Departamento de Geografia da PUC Minas, a localização e o processo histórico de ocupação ajudam a explicar as diferenças entre as regiões do estado.
O Norte e o Nordeste mineiros receberam influência de populações vindas do Nordeste do país. A região Central foi marcada pelo ciclo do ouro, enquanto Sul, Sudeste e Zona da Mata tiveram influência de movimentos de ocupação e atividades econômicas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
As diferenças também aparecem na economia. As regiões Metropolitana, Central, Oeste e Zona da Mata concentram 52,89% do PIB mineiro, percentual próximo à participação do Sudeste no PIB brasileiro, de 53,13%.
O Nordeste representa 13,06% da economia do país, enquanto o Norte de Minas e o Jequitinhonha respondem por 5,49% da economia mineira. Já o Centro-Oeste concentra 10,63% do PIB nacional, enquanto o Triângulo Mineiro, o Alto Paranaíba e o Noroeste representam 18,96% da economia de Minas Gerais. No Sul, os percentuais são mais próximos: a região responde por 16,81% do PIB brasileiro, enquanto o Sul de Minas e o Campo das Vertentes representam 16,10% da economia estadual.
Imagem aérea de Belo Horizonte
Reprodução/TV Globo
Minas e Brasil nas urnas
Desde 1989, o resultado da eleição presidencial em Minas Gerais acompanha o resultado nacional. Em 1989, a direita teve mais votos em Minas, assim como no país. Em 1994 e 1998, o centro saiu vitorioso. Entre 2002 e 2014, a esquerda venceu quatro eleições seguidas. Em 2018, a direita voltou a vencer. Em 2022, a esquerda recebeu novamente a maioria dos votos.
Além de acompanhar o resultado nacional, os percentuais de votação registrados em Minas também ficam próximos até nos números do país. Na eleição de 2022, por exemplo, o candidato da esquerda à Presidência recebeu 50,21% dos votos válidos em Minas e 50,90% no Brasil. O candidato da direita teve 49,79% no estado e 49,10% no país.
O cientista político Felipe Nunes, professor da FGV e diretor da Quaest, define Minas como um “estado pêndulo”.
“É um eleitorado que está disposto a mudar de opinião e de posição”, afirma.
Diferenças regionais no voto
O comportamento dos eleitores também varia dentro do estado.
Na disputa pela presidência, em 2022, o Norte de Minas e Jequitinhonha deram maioria dos votos à esquerda, assim como ocorreu no Nordeste brasileiro. No Sul de Minas e Campo das Vertentes e no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, a direita teve maioria, comportamento semelhante ao registrado nas regiões Sul e Centro-Oeste do país.
Nas regiões Metropolitana, Central, Oeste e Zona da Mata, a direita também ficou à frente, assim como ocorreu no Sudeste brasileiro. Nos vales do Rio Doce e Mucuri, o resultado ficou mais equilibrado, a exemplo da Região Norte do país.
Desafios para os candidatos
Para Lucas Gelape, professor de Ciência Política da UFMG, o tamanho do eleitorado e a diversidade regional ajudam a explicar a importância de Minas nas eleições.
Segundo ele, o estado é econômica e politicamente desconcentrado, o que exige dos candidatos atenção às diferentes regiões, e não apenas a Belo Horizonte.
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