Mineradora australiana negocia 70% da produção de terras raras de mina do Sul de MG com grupo europeu
04/11/2026
(Foto: Reprodução) Terras raras: a disputa global por uma riqueza brasileira
A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals firmou um acordo de fornecimento de longo prazo de carbonato misto de terras raras (MREC, na sigla em inglês) para a Rhodia Operations SAS, empresa integrante do grupo europeu Solvay.
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O contrato estabelece compromissos mínimos de compra de aproximadamente 70% da produção do Projeto Colossus, que deve começar a operar em 2028, em Poços de Caldas (MG).
🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos, fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. O carbonato misto de terras raras (MREC) é um composto químico intermediário obtido por meio da lixiviação (lavagem) de argilas iônicas ou do processamento de minérios e que contém todos os elementos terras raras misturados, antes da sua separação.
Carbonato de terras raras produzido pela mineradora Viridis, em Poços de Caldas, MG
Fabiana Assis/g1
O projeto Colossus é voltado para a extração e o processamento de elementos de terras raras em argilas iônicas em uma área de aproximadamente 373 hectares. O empreendimento está em fase de licenciamento ambiental.
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Desde junho de 2026, amostras produzidas na planta de demonstração da Viridis, em Poços de Caldas, são encaminhadas à unidade de separação da Solvay em La Rochelle, na França, para qualificação e desenvolvimento das especificações comerciais.
O contrato de fornecimento terá vigência até 31 de dezembro de 2034, com possibilidade de renovação por mais cinco anos. Os compromissos mínimos de compra seguem o modelo take-or-pay (o comprador se compromete a pagar por uma quantidade mínima e pré-fixada do produto) e começam no início das operações comerciais ou em 1º de janeiro de 2029, o que ocorrer primeiro.
Segundo a Viridis, o mecanismo do acordo considera referências de mercado e preços efetivamente realizados, com pisos contratuais atrativos para os quatro principais elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Também oferece proteção contra períodos de preços mais baixos no mercado internacional, preservando o potencial de ganhos adicionais em cenários de valorização das cotações.
Amostra de argila retirada de área formada sobre cratera de vulcão extinto no Sul de Minas rica em elementos conhecidos por terras raras
Viridis/Divulgação
Após a conclusão do Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS), em agosto de 2026, e a estruturação de um pacote de financiamento por capital próprio de até US$ 120 milhões, a Viridis avança nas etapas preparatórias para a implantação do Colossus. A companhia contratou uma construtora e iniciou os primeiros pedidos de equipamentos.
Segundo a empresa, durante a fase de construção, o projeto Colossus deverá gerar aproximadamente 2 mil empregos diretos. Na etapa de operação da mina e das instalações industriais, a estimativa da Viridis é de 600 postos de trabalho diretos.
Estruturação da cadeia
Segundo o CEO e diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno, o acordo representa um avanço na redução dos riscos comerciais do projeto e na estruturação de uma cadeia de fornecimento de terras raras fora dos mercados tradicionais.
“Existem poucos grupos ocidentais com capacidade estabelecida de separação de terras raras que possam oferecer uma rota comercial confiável para esses materiais. Ter a Solvay como parceira responde a um dos principais desafios comerciais do Colossus e aumenta a confiança na viabilidade econômica de longo prazo do projeto”, afirmou.
Acordo pode trazer desenvolvimento tecnológico para o Brasil, diz mineradora
Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), da Viridis, em Poços de Caldas (MG)
Viridis/Divulgação
A Viridis também projeta que a parceria possa ser uma oportunidade de trazer tecnologia de separação de terras raras ao Brasil e estabelecer as bases de uma cadeia nacional de fornecimento.
As empresas também assinaram um acordo de licenciamento e serviços técnicos, atualmente em andamento. A iniciativa poderá viabilizar o uso de tecnologias e o suporte técnico da Solvay para a produção, no Brasil, de carbonato de terras raras refinado, com maior concentração dos elementos magnéticos de interesse comercial.
Segundo a mineradora, é um passo importante para incorporar tecnologia de separação ao país e ampliar a participação brasileira nas etapas industriais da cadeia de terras raras.
“A colaboração vai muito além do fornecimento. A Solvay reúne décadas de experiência em separação de terras raras e tecnologias que pretendemos trazer, em conjunto, para o Brasil. Isso contribuirá para desenvolver capacidade de processamento no país e ampliar nossa participação na cadeia de valor desses elementos”, disse Moreno.
Segundo o gerente-geral da área de Terras Raras da Solvay, Stéphane Diaz, a combinação entre os recursos minerais brasileiros e a experiência industrial da companhia francesa fortalece o atendimento a mercados em expansão.
“A combinação entre os recursos de alta qualidade da Viridis no Brasil, as tecnologias comprovadas de processamento de terras raras da Solvay, nossa capacidade industrial em La Rochelle e o conhecimento das necessidades dos clientes reforça nossa capacidade de fornecer, de forma consistente, os materiais exigidos por mercados cada vez mais demandantes e em rápido crescimento”, afirmou.
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