Moradores pintam para a Copa rua que foi destruída pela chuva em Juiz de Fora
23/05/2026
(Foto: Reprodução) Após tragédia da chuva em Juiz de Fora, moradores pintam rua para a Copa do Mundo
Moradores da rua Dalila Lery, no bairro Industrial, em Juiz de Fora, voltaram a se unir três meses após a tempestade que deixou 66 mortos na cidade. Desta vez, o mutirão foi para decorar a rua para a Copa do Mundo.
Na expectativa pelos primeiros jogos da seleção brasileira, o local ganhou o tradicional colorido verde e amarelo. A mobilização aconteceu no último fim de semana e teve também churrasco de confraternização.
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“Começamos a mobilização há mais ou menos um mês. Comprei os itens, marcamos e decidimos fazer a pintura na semana passada. “A gente decidiu fazer também um churrasco para confraternizar, já que seriam muitas horas de trabalho. Começamos por volta das 9h, terminamos umas 18h e depois começamos o churrasco, que foi até 20h”, explicou Isabela Guimarães, de 30 anos, uma das organizadoras.
Antes devastada pela chuva, rua Dalila Lery, no bairro Industrial, agora está decorada para a Copa
Reprodução
Para ela, a decoração foi um momento de interação entre os vizinhos, que ainda estão fragilizados pela tragédia. “Aqui na nossa rua todos os moradores perderam tudo. Na casa do meu avô, por exemplo, a água chegou a 1,5 metro. No fim da rua, ela chegou a quase dois metros. Foi muito triste, mas a gente enfrentou tudo com muita união, com um ajudando o outro, seja na coleta de donativos, seja na limpeza da casa, na retirada dos entulhos”, explicou.
“A gente tá tentando ressignificar, principalmente para as crianças, que, infelizmente, estão traumatizadas. Algumas estão fazendo até acompanhamento psicológico, porque não foi fácil que a gente passou. Foram dias muito difíceis”.
Além dos pequenos, a decoração também contou com ajuda de moradores mais velhos, como senhor Selim, avô de Isabela, e outros idosos.
“O meu avô tem 84 anos e ficou dois meses fora de casa. Ele voltou pra casa há poucos dias, já que a casa dele precisou de uma reforma extrema, de nível de tocar a porta e refazer as paredes. Ele acompanhou a pintura com a gente, assim como outras senhorinhas. Uma delas fez almoço para todo mundo. Foi um dia inesquecível, e as crianças estão enlouquecidas com tudo que a gente viveu”.
Conforme Isabela, vizinhos de outras ruas também estão se mobilizando para aumentar a decoração pelo bairro. A expectativa é de novos encontros entre os moradores, para troca de figurinhas do álbum da Copa e também para acompanhar os jogos.
Adultos e crianças se reuniram para pintar rua em Juiz de Fora
Reprodução
Um projetor também será instalado em uma das casas para acompanhar a estreia da seleção.
“A gente tá animando de se encontrar no dia do primeiro jogo do Brasil, inclusive porque sobrou carne do churrasco. Também compramos chapéus e bandeirinhas, que estão todas guardadas para todo mundo ver o jogo caráter”.
Rua Dalila Lery, no bairro Industrial, em Juiz de Fora, está no clima de Copa do Mundo
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Tragédia completa três meses
Na noite do dia 23 de fevereiro, a chuva intensa que atingiu a cidade deixou 65 mortos. Um idoso de 77 anos foi socorrido nos escombros, ficou internado por cerca de um mês, mas também faleceu, aumentando o número de vítimas para 66.
Várias ruas ficam interditadas e outras totalmente evacuadas, sob risco de novos deslizamentos e soterramentos, deixando quase 10 mil desalojados e desabrigados.
Um rastro de destruição foi deixado em diferentes bairros da cidade, como Parque Burnier, o que teve maior número de mortos – 22, ao todo – Três Moinhos, Paineiras, Cerâmica, Nossa Senhora de Lourdes e Carlos Chagas.
Rua Dalila Lery, no bairro Industrial, durante a tragédia em Juiz de Fora e agora, três meses após a chuva
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No bairro Industrial, onde a pintura foi feita, o córrego Humaitá transbordou e deixou centenas de casas submersas. Não houve mortos no bairro, mas vários moradores precisaram deixar os imóveis, alguns com auxílio de barco.
A Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade, que segue até agosto.
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