Titular de cartório renuncia ao cargo após investigação por irregularidades em Juiz de Fora
05/05/2026
(Foto: Reprodução) Cartório de Juiz de Fora é interditado pela Justiça
Eny Mauro de Faria, ex-titular do 1º Tabelionato de Notas de Juiz de Fora, conhecido como Cartório Maninho Faria, renunciou ao cargo. Ele havia sido afastado preventivamente em novembro do ano passado após uma investigação apontar desvio de R$ 1,1 milhão ao longo de uma década no local.
A informação foi confirmada ao g1 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) nesta terça-feira (5). O procedimento administrativo disciplinar segue na Corregedoria-Geral de Justiça. A reportagem tenta contato com a defesa de Eny.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp
Com a renúncia, o cartório ficou oficialmente sem titular. A decisão foi publicada no Diário do Judiciário Eletrônico (DJe) na segunda-feira (4), e uma responsável interina foi nomeada até a escolha de um novo titular.
A tabeliã Vivianne Batista Alves Borges, interventora desde o ano passado, informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre o caso.
Cartório chegou a ser interditado
Em 2025, o Cartório Maninho Faria, localizado na Galeria Pio X, no Centro da cidade, foi interditado temporariamente por cinco dias após a Corregedoria-Geral do TJMG identificar irregularidades na gestão.
Na ocasião, o titular do cartório, Eny Mauro de Faria, foi afastado preventivamente por má gestão. Os três tabeliães substitutos, Aldo Manoel Saraiva de Faria, Márcio Saraiva Faria e Mauro Saraiva de Faria, filhos do titular, foram destituídos.
Desvios ultrapassam R$ 1 milhão
A soma das cobranças abusivas e da apropriação de impostos indica prejuízo estimado superior a R$ 1,1 milhão. A Corregedoria afirma que os valores podem ser ainda maiores, já que outras irregularidades seguem em análise.
Cobrança de mais de R$ 500 mil por testamento: Um dos casos mais graves ocorreu em 2023, quando um idoso pagou R$ 522 mil para a elaboração de um testamento no cartório. O valor é considerado abusivo e muito acima do previsto na tabela oficial.
Inventário com valores acima do permitido: Em 2024, outro cliente pagou quase R$ 10 mil a mais do que o devido para a realização de um inventário. A diferença foi identificada durante auditoria da Corregedoria.
Apropriação de impostos estaduais: Entre 2013 e 2017, o cartório reteve valores do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) que deveriam ter sido repassados ao Estado. Somente em 2017, a retenção chegou a R$ 353 mil. Em anos anteriores, os valores variaram entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.
Cartório Maninho Faria, no Centro de Juiz de Fora
Maria Elisa Diniz/TV Integração
A Corregedoria também apontou a omissão do titular na fiscalização e na gestão da serventia, o que permitiu a repetição das condutas irregulares ao longo de anos.
Embora as irregularidades tenham ocorrido entre 2013 e 2024, a intervenção só foi determinada em novembro de 2025, após a conclusão dos processos administrativos disciplinares (PADs) e a consolidação das provas sobre a gestão irregular e as condutas ilegais apuradas.
LEIA TAMBÉM:
Cartório no Centro de Juiz de Fora é temporariamente interditado após suspeita de irregularidades; titular e substitutos são afastados
Cobrança indevida e apropriação de impostos: entenda como desvios de mais de R$ 1 milhão levaram à interdição de cartório em MG
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes| em G1 / MG / Zona da Mata